Ausência de fraturas não descarta trauma, aponta laudo sobre morte de Orelha

Por Zebrinha Richartz 27/02/2026 - 07:22 hs

O laudo pericial elaborado pela Polícia Científica de Santa Catarina após a exumação do corpo do cão comunitário Orelha concluiu que não foram encontradas fraturas no crânio nem em outros ossos do animal. O procedimento foi realizado a pedido do Ministério Público de Santa Catarina, dentro das investigações que apuram as circunstâncias da morte.

De acordo com o documento técnico, todos os segmentos ósseos recuperados passaram por análise detalhada. O resultado descartou sinais de lesões provocadas por instrumento perfurante ou contundente. Com isso, foi rebatido um dos principais boatos que circularam nas redes sociais: não há qualquer vestígio de prego cravado na cabeça do animal, hipótese que ganhou grande repercussão pública nos dias seguintes ao caso.

Apesar da inexistência de fraturas, o laudo ressalta que essa constatação, por si só, não exclui a possibilidade de agressão ou trauma. Conforme a literatura veterinária citada no parecer, muitos traumas cranianos em cães não resultam em ossos quebrados, mas podem provocar complicações graves, como edema cerebral, hemorragias internas e aumento da pressão intracraniana, capazes de levar o animal à morte mesmo sem marcas evidentes no esqueleto.

A análise dos tecidos moles, no entanto, ficou prejudicada devido ao intervalo entre o óbito e a exumação. O avançado estado de decomposição impediu a avaliação adequada de estruturas como cérebro, vasos sanguíneos e musculatura, limitando a possibilidade de confirmação definitiva da causa da morte. Por essa razão, o laudo é considerado inconclusivo quanto ao fator determinante do falecimento.

O exame também identificou que Orelha era um cão idoso e apresentava alterações degenerativas crônicas, como desgastes ósseos compatíveis com a idade. Segundo os peritos, essas condições não possuem relação direta com o episódio investigado, mas foram registradas como parte do histórico biológico do animal.

O caso segue sob apuração. O Ministério Público analisa o conteúdo do laudo e poderá solicitar diligências complementares, caso entenda necessário. Até o momento, a causa exata da morte de Orelha permanece indefinida, mantendo a investigação em andamento.

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