Caso do cão Orelha: Ministério Público pede arquivamento após contradições em provas e laudos
Pedido foi apresentado pelo MPSC nesta terça-feira (12); investigação apontou inconsistências em imagens, depoimentos e perícias veterinárias
Pedido foi apresentado pelo MPSC nesta terça-feira (12); investigação apontou inconsistências em imagens, depoimentos e perícias veterinárias
O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) pediu nesta terça-feira (12) o arquivamento da investigação sobre a morte do cão Orelha, caso que ganhou grande repercussão nas redes sociais e mobilizou autoridades e defensores da causa animal em todo o país.
Segundo o parecer do órgão, a investigação acumulou contradições em laudos periciais, imagens de câmeras de segurança e depoimentos de testemunhas, o que acabou desmontando a narrativa inicial de que adolescentes teriam espancado o animal na região da Praia Brava, em Florianópolis.
De acordo com o Ministério Público, a análise de quase dois mil arquivos revelou inconsistências na cronologia dos fatos. Um dos principais pontos identificados foi um desajuste de aproximadamente 30 minutos nos horários das câmeras de monitoramento utilizadas durante a investigação.
Após a correção da linha do tempo, os promotores concluíram que o cão e os adolescentes investigados não estavam juntos no momento em que teria ocorrido a suposta agressão. Imagens também mostrariam Orelha caminhando normalmente cerca de uma hora depois do horário inicialmente apontado como o da violência.
Outro fator decisivo para o pedido de arquivamento foram os laudos veterinários. A perícia realizada após a exumação do corpo descartou lesões compatíveis com agressão recente, como fraturas ou ferimentos traumáticos. Os exames identificaram sinais de osteomielite, uma infecção óssea grave, além de doenças preexistentes que poderiam ter comprometido a saúde do animal.
O Ministério Público também destacou que informações divulgadas nas redes sociais contribuíram para ampliar a repercussão do caso antes da conclusão das perícias técnicas. O órgão ainda solicitou apuração sobre eventual disseminação de informações falsas relacionadas ao episódio.
O caso do cão Orelha gerou forte comoção popular e intensa mobilização nas redes sociais desde o surgimento das primeiras denúncias. Com o pedido de arquivamento, o MPSC sustenta que não foram encontrados elementos suficientes para responsabilizar criminalmente os adolescentes investigados.
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