Ocorrências com fogueiras crescem 61% em Santa Catarina e Bombeiros reforçam alerta para festas juninas

Corpo de Bombeiros orienta população sobre medidas de segurança para evitar queimaduras e incêndios durante os tradicionais festejos de São João

Por Zebrinha Richartz 04/06/2026 - 07:46 hs

Com a aproximação das festas juninas, o Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina (CBMSC) intensifica o alerta sobre os riscos relacionados às fogueiras. Dados da corporação apontam um aumento de 61% nas ocorrências envolvendo esse tipo de estrutura nos últimos dois anos. Em 2023, foram registrados 31 atendimentos; em 2024, 33; e, em 2025, o número saltou para 50 casos.

Embora os fogos de artifício geralmente recebam maior atenção durante o período, as fogueiras também são responsáveis por acidentes frequentes. Segundo a Sociedade Brasileira de Queimaduras, cerca de um milhão de pessoas sofrem queimaduras todos os anos no país, e parte desses casos ocorre justamente durante as celebrações juninas.

De acordo com o comandante-geral do CBMSC, coronel Fabiano de Souza, a fogueira é uma tradição cultural que muitas vezes acaba sendo encarada como inofensiva, mas pode provocar acidentes graves.

“Os fogos de artifício costumam dominar o noticiário sobre acidentes juninos, mas a fogueira produz um tipo de acidente menos espetacular e mais frequente, com queimaduras em mãos, braços, tronco, rosto e olhos, muitas vezes provocadas por estalos e estilhaços durante o acendimento”, explica.

Uma das principais orientações dos bombeiros é respeitar a distância de segurança. Conforme a Instrução Normativa nº 24 do CBMSC, a fogueira deve estar afastada de edificações, vegetação, fiação elétrica e materiais combustíveis em uma distância equivalente a uma vez e meia a sua altura. Assim, uma fogueira de dois metros de altura, por exemplo, exige pelo menos três metros de área livre ao redor.

Além disso, os bombeiros destacam algumas recomendações pouco conhecidas pela população. Uma delas é acender a fogueira pelo topo e não pela base. Segundo a corporação, essa técnica reduz o risco de desabamento da estrutura e mantém as chamas mais controladas.

Outra orientação é nunca lançar bombinhas, rojões ou outros artefatos explosivos dentro da fogueira. A prática pode espalhar brasas e fragmentos incandescentes, colocando pessoas e propriedades em risco.

Também é recomendado espalhar uma camada de areia no solo antes de montar a fogueira. A medida ajuda a impedir que o calor atinja raízes e materiais inflamáveis subterrâneos, evitando que o fogo reapareça horas depois.

Para garantir uma comemoração segura, o Corpo de Bombeiros orienta ainda que não sejam utilizados líquidos inflamáveis, como álcool, gasolina ou querosene, para acender o fogo. A recomendação é manter baldes com água ou areia próximos ao local, evitar fogueiras em dias de vento forte, manter crianças e animais afastados e não acender a estrutura após o consumo de bebidas alcoólicas.

Ao final da festa, a atenção também deve continuar. Os bombeiros alertam que brasas aparentemente apagadas podem permanecer quentes por várias horas. Por isso, é necessário molhar completamente os restos da fogueira, mexer as cinzas e repetir o procedimento até que não haja mais fumaça ou calor.

A orientação da corporação é que a tradição seja mantida com responsabilidade, garantindo que as comemorações juninas ocorram de forma segura e sem acidentes.

Fonte/CBMSC