Operação Bow Tie: GAECO cumpre mandados contra organização criminosa em Chapecó e Xanxerê

Segunda fase da operação investiga vazamento de informações sigilosas e atuação de facção criminosa dentro e fora do sistema prisional catarinense

Por Zebrinha Richartz 16/06/2026 - 09:35 hs

A força-tarefa formada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO), Grupo Estadual de Enfrentamento a Facções Criminosas (GEFAC) e pela 39ª Promotoria de Justiça da Comarca da Capital deflagrou, na manhã desta terça-feira (16), a segunda fase da Operação Bow Tie em Santa Catarina.

A ação ocorreu nos municípios de Chapecó e Xanxerê, no Oeste catarinense, onde foram cumpridos três mandados de busca e apreensão expedidos pela Vara Estadual de Organizações Criminosas. Os alvos são investigados por suposta participação em uma organização criminosa com atuação dentro e fora do sistema prisional catarinense.

As diligências contaram com o apoio do Núcleo de Operações Táticas (NOT) da Polícia Penal, responsável por auxiliar no cumprimento das ordens judiciais contra investigados que se encontram custodiados em unidades prisionais do estado.

Segundo o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), a operação é um desdobramento das investigações iniciadas durante a quinta fase da Operação Sodalitas Finis – Casa de Pedra. O objetivo é apurar o suposto vazamento de informações sigilosas relacionadas ao cumprimento de medidas judiciais, fato que poderia ter favorecido integrantes da organização criminosa investigada.

Durante a operação, foram apreendidos materiais que agora serão submetidos à perícia da Polícia Científica. Após a elaboração dos laudos técnicos, as evidências serão analisadas pelo GAECO para dar continuidade às investigações conduzidas pela 39ª Promotoria de Justiça da Capital.

As autoridades informaram que o procedimento tramita sob sigilo judicial, motivo pelo qual detalhes sobre os investigados e o conteúdo dos materiais apreendidos ainda não foram divulgados.

O nome da Operação Bow Tie faz referência a um tipo específico de nó de gravata. Conforme explica o Ministério Público, no jargão utilizado dentro dos presídios, o termo “gravata” é frequentemente empregado para se referir a advogados. As investigações apontam que alguns dos suspeitos estariam envolvidos em crimes graves, especialmente tráfico de drogas, enquanto outros teriam atuado na chamada “sintonia” da facção criminosa.

A expressão “sintonia” é utilizada para definir a comunicação entre integrantes presos e membros da organização que permanecem em liberdade. Esse sistema permite a transmissão de informações, ordens e orientações, contribuindo para a manutenção e expansão das atividades criminosas.

A operação também integra a Operação Convergência Nacional, coordenada pelo Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (GNCOC), iniciativa que reúne Ministérios Públicos e forças de segurança de diversos estados em ações conjuntas de enfrentamento ao crime organizado.

De acordo com o MPSC, a estratégia busca fortalecer a cooperação entre instituições e ampliar o uso de inteligência e análise de dados para combater facções criminosas que atuam em diferentes regiões do país.

A ação desta terça-feira reforça o trabalho desenvolvido pela 39ª Promotoria de Justiça da Capital, unidade especializada que passou a atuar em todo o território catarinense no combate às organizações criminosas. Com estrutura própria e equipe especializada, a promotoria tem como missão intensificar as investigações e garantir maior eficiência no enfrentamento ao crime organizado em Santa Catarina.

Fonte: MPSC GAECO