Operação "Catilina" investiga suposta infiltração de facção criminosa na política de Itapoá

Mandados de busca e apreensão foram cumpridos pelo Ministério Público de Santa Catarina com apoio do GAECO; investigação tramita sob sigilo judicial

Por Zebrinha Richartz 29/07/2026 - 10:50 hs

O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), por meio da 39ª Promotoria de Justiça da Capital e com o apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO), deflagrou na manhã desta quarta-feira (29) a Operação "Catilina", que investiga a suposta infiltração de uma organização criminosa no meio político do município de Itapoá, no Norte catarinense.

Durante a operação, foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão expedidos pela Vara Estadual de Organizações Criminosas (VEOC). As diligências ocorreram exclusivamente em endereços ligados a três investigados no município de Itapoá.

De acordo com o MPSC, a investigação teve início após informações encaminhadas à 1ª Promotoria de Justiça de Itapoá. Os elementos reunidos até o momento apontam indícios de que uma organização criminosa teria atuado para influenciar o processo político local, apoiando determinados candidatos e buscando ampliar seu domínio territorial no município.

Segundo as investigações, benefícios e auxílios teriam sido distribuídos em comunidades sob influência da facção para conquistar apoio político. Em contrapartida, moradores seriam coagidos a manifestar apoio a candidatos específicos, havendo relatos de intimidações, ameaças e ações direcionadas contra possíveis opositores.

Os investigados também são suspeitos de manter vínculos entre agentes políticos, empreendimentos privados e integrantes da organização criminosa, formando uma estrutura voltada ao fortalecimento dos interesses da facção.

Todo o material apreendido será encaminhado à Polícia Científica para a realização de perícias. As evidências serão analisadas pelo GAECO para dar continuidade às investigações, identificar outros possíveis envolvidos e aprofundar a apuração dos fatos.

Origem do nome da operação

O nome "Catilina" faz referência a Lúcio Sérgio Catilina, personagem da Roma Antiga conhecido pela chamada "Conjuração de Catilina", episódio histórico associado à articulação de interesses para obtenção e manutenção do poder por meio de alianças clandestinas. Segundo o Ministério Público, a denominação faz uma referência simbólica à hipótese investigada de influência criminosa sobre espaços de representação política e estruturas públicas.

O MPSC informou que a investigação tramita sob sigilo judicial e que novas informações serão divulgadas apenas quando houver autorização para a publicidade dos autos.

Atuação da 39ª Promotoria

A 39ª Promotoria de Justiça da Capital foi criada para atuar em conjunto com a Vara Estadual de Organizações Criminosas e possui competência em todo o território catarinense para investigar e processar crimes ligados a organizações criminosas. A unidade conta com cinco Promotores de Justiça de entrância especial, estrutura própria e reforço em equipamentos, equipe e segurança, com o objetivo de ampliar a eficiência no combate ao crime organizado em Santa Catarina.

Fonte: MPSC/GAECO