Diretor de unidade prisional é preso em operação contra corrupção em Lages

Por Zebrinha Richartz 26/02/2026 - 14:31 hs

O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) e do Grupo Especial Anticorrupção (GEAC), deflagrou na manhã desta quinta-feira (26) a Operação Carne Fraca. A ação apura possíveis crimes de corrupção, violação de sigilo funcional e advocacia administrativa em uma unidade prisional da Serra Catarinense.

A operação foi realizada em apoio à 15ª Promotoria de Justiça da Comarca de Lages, responsável pelo procedimento investigatório que deu origem à apuração. De acordo com o MPSC, os fatos investigados teriam ocorrido entre março e outubro de 2025.

Durante o cumprimento das ordens judiciais, foi executado um mandado de prisão preventiva contra um policial penal que exercia a função de diretor do estabelecimento prisional. Também foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos fatos investigados.

As investigações começaram após uma representação que apontava a existência de um suposto esquema estruturado para concessão de benefícios irregulares a um apenado. Conforme os elementos já colhidos, o então diretor teria estabelecido relação pessoal e funcional com a companheira do preso, passando a intervir de forma reiterada e informal em procedimentos relacionados à execução penal.

Segundo a representação, as vantagens oferecidas fariam parte de um contexto contínuo de troca, no qual benefícios administrativos seriam seguidos de vantagens materiais e pessoais. Entre os itens citados estão entregas reiteradas de carnes nobres ao agente público, em circunstâncias diretamente vinculadas a intervenções funcionais.

O nome “Carne Fraca” faz referência justamente ao conjunto de vantagens indevidas identificadas ao longo da investigação, além de simbolizar, conforme o Ministério Público, a fragilidade ética evidenciada nas condutas apuradas, nas quais a função pública teria sido colocada a serviço de interesses privados.

A investigação tramita em sigilo. Novas informações poderão ser divulgadas após a publicidade dos autos.

Fonte/MPSC